Doença celíaca: do diagnóstico ao tratamentoDoença celíaca: do diagnóstico ao tratamento

A doença celíaca é uma desordem do organismo que faz com que o sistema imunológico reaja de forma exagerada à presença de glúten na alimentação. Essa reação provoca inflamações, causando uma série de desconfortos e, dependendo da intensidade, pode até ter consequências mais graves.

Trata-se, portanto, de uma doença autoimune, ou seja, são as próprias células do sistema de defesa do corpo que agridem as paredes do intestino delgado. A inflamação causada dificulta a absorção dos nutrientes.

Quer saber mais sobre essa doença, quais os sintomas e como funciona o tratamento? Leia o blog post até o final e descubra.

Causas da doença celíaca

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína presente em alimentos como trigo, cevada, centeio e malte. É importante lembrar que, no Brasil, devemos considerar a aveia também, por contaminação.

Estudos mais recentes associam o surgimento da doença celíaca à permeabilidade intestinal aumentada em pacientes geneticamente predispostos.

Diferença entre doença celíaca e intolerância ao glúten

A intolerância ao glúten e a doença celíaca podem ter sintomas parecidos, mas são situações diferentes.

Enquanto a doença celíaca tem origem genética e é permanente, a sensibilidade ao glúten pode ser uma intolerância momentânea à substância, devido a um grande volume ou frequência de consumo.

Tanto a doença celíaca quanto a intolerância ao glúten exigem tratamento. Mesmo que não seja permanente, a intolerância pode provocar até uma convulsão se não for cuidada.

Para ambos os casos são passadas as mesmas orientações, ou seja, uma dieta isenta de glúten, inclusive de possível contaminação.

Sintomas da doença celíaca

A doença celíaca é, geralmente, identificada na primeira infância, que é quando se inicia a introdução alimentar. O contato com os cereais se dá nessa fase e os sinais ficam mais evidentes.

No entanto, a desordem também pode ser identificada na idade adulta. Nesse caso, os sintomas são menos claros. Há pessoas, inclusive, que não apresentam indícios específicos da doença, chegando a cerca de 70% das pessoas sem sintomas clássicos.

Celíacos que consomem glúten têm problemas relacionados à baixa absorção de nutrientes. Sendo assim, o corpo reage de diversas formas. Alguns sinais podem ser:

  • Barriga inchada,
  • Desconforto abdominal,
  • Excesso de gases,
  • Diarreia ou prisão de ventre,
  • Danos na parede intestinal,
  • Cansaço,
  • Falta de ar,
  • Osteoporose,
  • Desnutrição

Como saber se tenho doença celíaca

O diagnóstico para doença celíaca não é simples e, geralmente, são feitos mais de um tipo de exame para ter uma avaliação mais completa. Veja quais são:

  • Exame clínico: avaliação dos sintomas relatados pelo paciente,
  • Exame de sangue: busca a presença de anticorpos relacionados ao glúten (anti transglutaminase IgA, anti endomísio IgA, anti gliadina deaminada IgA),
  • Biópsia: investigação do intestino delgado por meio de endoscopia,
  • Restrição de glúten: para avaliar se faz diferença nos sintomas e achados laboratoriais.

Como é o tratamento da doença celíaca

O tratamento da doença celíaca é a dieta isenta de glúten. Não tem outro jeito.

A substância aparece em alimentos bastante populares como o pão, a pizza e o macarrão, entre muitos outros. Vai também em biscoitos, bolos, alguns tipos de doces… a lista é longa.

No entanto, há diversos outros produtos que também contém glúten e não são tão óbvios assim, como molhos prontos, hambúrguer, embutidos como a salsicha e até bebidas, como a cerveja. Na cozinha, até os utensílios e eletrodomésticos também precisam de um cuidado extra.

É obrigatório, pela lei brasileira, constar no rótulo dos produtos a presença (ou não) de glúten no alimento. Fique de olho na hora da compra, principalmente para não comprar um produto contaminado por maquinário.

Pode parecer um desafio, mas as opções de produtos sem glúten estão crescendo no mercado. Hoje temos diversas opções saborosas. Mas fique atento: para o celíaco não basta consumir o produto sem glúten, ele tem que ser livre de contaminação cruzada.

O esforço em manter a alimentação regrada vale a pena. A doença celíaca não tratada pode ter graves consequências para a saúde. Com a falta de nutrientes e as agressões ao intestino, existe o risco de desenvolver linfoma, outros tipos de câncer, osteoporose e até infertilidade.

Se você sente alguns dos sintomas que estão associados à doença celíaca, procure o diagnóstico correto e comece o tratamento. Quanto antes iniciar, melhor será a sua qualidade de vida.

Assista e saiba mais:

Tenho azia frequentemente, e agora?Tenho azia frequentemente, e agora

Qualquer pessoa está sujeita a ter azia uma vez ou outra. Refeições pesadas, sobrepeso e até a gravidez são fatores que podem provocar essa queimação localizada bem no meio do tórax.

O problema é quando a azia se torna frequente. A ocorrência quase diária ultrapassa o que se considera natural. Nesse caso, é importante investigar para entender qual a causa desse sintoma.

A azia é o principal indicador de uma série de doenças, sendo a principal delas o refluxo gastroesofágico.

É o seu caso? Então leia esse post até o final e entenda a importância de se realizar uma avaliação especializada. Veja também dicas de como se livrar desse problema.

O que é a azia frequente?

A azia – ou pirose (ação de queimar) – é a sensação de queimação que sobe pelo peito e pode chegar até a garganta. Normalmente, deixa um gosto amargo ou ácido na boca.

Pode desencadear episódios de tosse, crises de asma durante a noite, dor garganta, rouquidão, pigarro e fortes dores no peito. É muito comum o gastroenterologista receber pacientes do pneumologista, otorrinolaringologista e até do cardiologista.

A azia é considerada frequente quando acomete o paciente por mais de 3 vezes por semana. Pesquisas indicam que 48% dos brasileiros adultos têm esse sintoma de forma ocasional e cerca de 10% têm azia com frequência.

Quais são as principais causas de azia?

A azia geralmente está associada a uma alimentação pesada ou má digerida. Geralmente surge até duas horas após a refeição e, também, ao deitar. Para aliviá-la, os antiácidos costumam resolver.

A azia frequente é um dos principais sintomas da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Isso não significa que toda azia é sinal de refluxo, e nem que o refluxo apresenta azia em todos os casos, certo?

Refluxo é uma doença?

Depende! Em certa medida, todas as pessoas possuem algum grau de refluxo. No entanto, em determinados casos, pode ser caracterizado como doença, sim.

O refluxo é um processo normal do organismo. Após as refeições, dependendo da quantidade e da qualidade da ingesta, pode ocorrer o retorno do conteúdo presente no estômago para a região do esôfago.

Sempre explico para o paciente que o ácido é normal no estômago. Quando ele passa para o esôfago, na forma de refluxo, começam a aparecer os sintomas. O esôfago não é um órgão preparado para ter contato frequente com o ácido do estômago.

À medida que o refluxo ocorre com frequência e intensidade, passa a ser considerado uma doença: a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

Além da azia, a DRGE apresenta outros sintomas, como:

Como acabar com a azia causada por refluxo?

Existem alguns caminhos para se acabar com a azia frequente provocada por refluxo.

O primeiro passa por mudanças comportamentais:

A segunda opção envolve o uso de medicamentos que bloqueiam a ação do ácido e aumentam o pH do estômago para controlar os sintomas. Pode ser feito o uso esporádico ou contínuo, depende do quadro do paciente. A orientação é bastante individual.

A terceira alternativa envolve um procedimento cirúrgico. É realizado quando o esfíncter – a válvula que separa o estômago do esôfago – está enfraquecido. Por meio de uma videolaparoscopia, o cirurgião corrige a flacidez do músculo para que volte a ter sua função de impedir o escape do líquido gástrico.

Existem técnicas endoscópicas de tratamento como a radiofrequência, que pode ser aplicada em casos selecionados e que ajudam o esfíncter a recuperar a força. Esse tipo de tratamento se faz por endoscopia, com fácil recuperação e com resultados duradouros.

Outras condições associadas a azia frequente

Além do refluxo gastroesofágico, existem outras possíveis causas associadas à azia frequente:

Quer um atendimento personalizado para avaliar o seu caso? Então agende um horário e conte comigo para resolver esse incômodo!

7 dúvidas sobre doença celíaca que você também precisa saber7 dúvidas sobre doença celíaca que você também precisa saber
Pessoas com doença celíaca não podem consumir alimentos com glúten. Mas há quem não seja celíaco e sinta benefícios ao cortar essa proteína da alimentação. Você sabe por que isso acontece? Nem todo mundo que se sente mal ao consumir glúten tem doença celíaca. É uma doença que gera muitas dúvidas nos pacientes. Por isso, decidimos escrever este post, para esclarecer as principais questões que chegam ao consultório. Conheça as 7 principais perguntas e veja as respostas a respeito da doença celíaca e do glúten.

1. O que é a doença celíaca?

A doença celíaca é uma doença autoimune – ou seja, as células de defesa atacam outras células do organismo, causando um processo inflamatório. Os celíacos – como são chamados os portadores da condição – não têm uma enzima que é responsável por quebrar o glúten, proteína encontrada em cereais como trigo, centeio, cevada e malte. Sem ser processada corretamente, a substância fica acumulada no intestino e o organismo reage agredindo a mucosa da parede intestinal, causando lesões. Normalmente, a doença aparece em crianças entre 1 e 3 anos de vida, quando muitos dos cereais começam a ser introduzidos na alimentação. Mas também é possível desenvolver ou identificar o problema na vida adulta.

2. Quais são os sintomas da doença celíaca?

As manifestações podem variar conforme o grau de intolerância de cada paciente, mas, em geral, são os seguintes:
  • Barriga estufada
  • Gases
  • Ânsia de vômito
  • Diarreia
  • Irritabilidade
  • Perda de peso
  • Anemia, deficiência de vitaminas e minerais
  • Fadiga
  • Enxaqueca
  • Infertilidade
  • Lesões na pele e queda de cabelo
No entanto, 70% das pessoas não apresentam sintomas clássicos da doença, o que faz com que muitos pacientes convivam com o problema sem saber. Isso pode acabar retardando o diagnóstico e trazendo consequências perigosas para a saúde. Portanto, é muito importante prestar atenção no seu corpo e manter os exames em dia.

3. Como saber se tenho a doença celíaca?

Existem poucas estatísticas sobre a doença celíaca no Brasil, mas a OMS estima que 1% da população mundial sofra com o problema. O diagnóstico precisa ser feito por um gastroenterologista com base na avaliação dos sintomas, pelo histórico familiar e por alguns exames. São eles: exame de sangue, para dosar os anticorpos contra o glúten, de fezes e biópsia do intestino delgado, para verificar se existe inflamação na área. Também é possível que o médico solicite uma segunda biópsia depois da exclusão do glúten na dieta durante algumas semanas, para comparar a integridade do intestino.

4. O que acontece se eu não me tratar?

A falta de um tratamento correto pode acarretar em diversas condições correlacionadas, e até mesmo tumores ou linfomas no intestino. Isso porque, com a doença celíaca, o órgão fica lesionado e a absorção de vitaminas, minerais, água e nutrientes é prejudicada. Algumas das consequências que podem ser decorrentes da falta de tratamento são osteoporose, diabetes, hipotireoidismo e menstruação irregular.

5. Como é o tratamento para celíacos?

Infelizmente, a doença celíaca não tem cura e o único tratamento é uma dieta 100% livre de glúten. Isso representa um grande desafio para os pacientes, já que existem riscos como a contaminação cruzada (quando partículas da proteína contaminam alimentos, utensílios ou superfícies que não tinham a presença de glúten). Mas, com a ajuda de bons profissionais e um ajuste na rotina, é possível viver uma vida longa e saudável! Também já existem alguns medicamentos sendo pesquisados para a condição que reduzem a permeabilidade intestinal e estreitam as junções do intestino delgado. Assim, o glúten não “escapa” para a corrente sanguínea, evitando a resposta autoimune. O cenário é promissor, mas a dieta ainda vai precisar ser mantida.

6. Doença celíaca é a mesma coisa que sensibilidade ao glúten?

Não! Embora ambas sejam alterações gastrointestinais causadas pelo glúten, na doença celíaca há o componente imunológico que leva à inflamação da mucosa intestinal. Já na sensibilidade, é como se a proteína não fosse bem aceita pelo organismo. Enquanto os celíacos precisam cortar totalmente os alimentos com glúten e evitar até a contaminação cruzada, as pessoas com sensibilidade são tratadas reduzindo a quantidade da proteína na dieta.

7. Mas então, o que o celíaco pode comer?

Basicamente, tudo que não contenha glúten. Ou seja, pães, bolos, salgadinhos, biscoitos, pizza, cerveja, macarrão… Qualquer derivado do trigo, cevada, centeio ou malte. Também é preciso manter uma atenção especial com alimentos industrializados que possam sofrer contaminação cruzada, como aveia, ketchup, mostarda, maionese e bebidas em pó. Por isso é muito importante sempre checar a lista de ingredientes do produto no rótulo. A boa notícia é que hoje existe uma grande variedade de produtos que não têm a proteína na composição, e que, portanto, estão liberados para os portadores da doença celíaca. De qualquer forma, é imprescindível buscar uma boa orientação médica para ter uma rotina alimentar adequada às necessidades e particularidades do paciente. Ter um time multidisciplinar de profissionais é essencial para um diagnóstico correto e para um tratamento eficaz da doença celíaca. Se estiver com algum sintoma ou dúvida, conte comigo!